Bastantes obscuras e controversas são origens da Carbonária Portuguesa. Na sua raiz imediata (e independente da sua aliteralada inspiração italiana) encontramos um grupo estudantil formado logo em seguida do fracasso da revolução republicana do Porto, em 1891: em Coimbra, poucos anos volvidos sobre a sangrenta revolta nortenha, um grupo de estudantes organiza uma sociedade secreta visando o derrube violento do regime vigente. Estava-se em 1895 e a geração académica, desperta para a vida politica pelo traumatismo nacional do Ultimato britânico, ansiava por uma acção capaz de pôr fim à monarquia dos Braganças, tidas como razão última de todos os descaminhos e mazelas do País.
É, assim, no meio estudantil de Coimbra que nasce o primeiro embrião de um sociedade secreta conspirativa, votada à destruição violenta do regime monárquico. Um dos seus primeiros orientadores é precisamente um estudante e figura de relevo na «geração de 90», Afonso de Lemos, director do jornal estudantil A Pátria: foi a sua ideia criar um orgnismo académico secreto, de inspiração maçónica na sua estrutura e ritos. Já formado em Medecina, Afonso de Lemos havia aliás de prosseguir na sua acção politica contra o regime vigente.
Diversa é a versão dada pelo operário José Nunes quanto à origem da Carbonária Portuguesa: escrevendo em 1918, este serralheiro mecânico e grande perito em bombas - autor de um livro precisamente intitulado A Bomba Explosiva, onde relata os maejos conspiratórios que precederam o 5 de Outubro de 19910 - dizia a origem da Carbonária propriamente dita estaria uma outra organização secreta, inspirada na Maçonaria e de orientação marcadamente Libertária. Em 1896, diz José Nunes, o célebre jornalista, «maçon» e republicano Heliodoro Salgado decidiu formar uma associação secreta - e fazia-o, diz textualemente o operário bombista, porque sabia «quanto é romântica e impressionável a psíquica do povo português«, achando que dessa fraqueza devia precisamente fazer uma força; agregando a si José Vale, António Alcochetano e outros, fundou em Agosto de 1896 a Liga Progresso e Liberdade, verdadeira «mãe da Carbonária Portuguesa», conforme assegura José Nunes. As reuniões realizavam-se numa casa da Horta Navia, num subterrâneo. Mais tarde, em 1899, essa associação far-se-ia regularizar junto das instâncias maçónicas espanholas de~«El Soberano Gran Consejo General Ibérico» do rito nacional espanhol.
domingo, 15 de novembro de 2009
A revolução republicana
«A republica, em verdade, feita primeio pelos partidos constitucionais dissidentes e refeita depois pelos partidos jacobinos, que, tendo vivido fora do poder e do seu maquinismo, a tomam como carreira, seria em portugal uma balbúrdia sanguinolenta.»
Eça de Queiroz (1878)
Eça de Queiroz (1878)
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